As rodas que impulsionam a vida

Caroline Natale Melquiades Rooke

Liege Walter. Foto: Arquivo pessoal Liege Walter, apaixonada pelo esporte que pratica: Mountain Bike. Foto: Arquivo pessoal.O sorriso no rosto não descreve a história de superação, afinal cada meta alcançada nos treinos com quedas e acertos, demonstra a persistência de atingir o objetivo e de superar o limite do seu corpo. O resultado é obtido nas competições, todo esforço é recompensado.

A cada treino é estabelecido uma meta, vencer os seus limites físicos, psicológicos e sair da zona de conforto para atingir o sonho de ser uma das primeiras do país.

Os anos de dedicação aperfeiçoaram as técnicas para transpassar os obstáculos. O desafio em chegar ao seu nível de sucesso, foi com o tempo, muito esforço e dedicação. Não apenas uma mulher, e sim a Mulher, que conquistou muitos pódios, medalhas e troféus nas modalidades de Cross Country (XCO) e Maratona, provas que exigiram muita habilidade técnica com a bicicleta, nas decidas e subidas íngremes em meio às trilhas com troncos e raízes de árvores, pedras soltas, jumps, paredes e escadas de madeira, lugares que só vendo para acreditar que é possível passar com a bicicleta.

Com tantas modalidades de esportes, Liege acredita que foi escolhida pela bike, desde pequena gostava de pedalar, mas não tinha como o seu ideal competir.

A sua brincadeira era andar de bicicleta, mas nunca imaginou viver só do esporte. Aos 17 anos começou a namorar com Wanderson Silva, que já pedalava e competia e que, aos poucos, foi montando uma bike para Liege, com as peças que sobravam.

“Sempre ia assistir ele nas provas e gostava; resolvi tentar”.

A participação nas primeiras competições não registraram bons resultados, como no Bike Enduro com o percurso de 32 km. No Iron Biker, maratona com dois dias, Liege teve dificuldades em passar pelas trilhas, pois teve que empurrar a bicicleta. Chorou, quase desistiu, além da bike ter quebrado, mesmo nessas condições conseguiu se classificar em 6º lugar. As duas provas aconteceram em Mariana-MG. A prova de percurso em Congonhas também foi marcante no início da sua carreira, “no início fui mal em todas, chegava em último lugar, e sempre vinha a ambulância andando atrás de mim”.

Foi aos 18 anos que a biker decidiu se dedicar mais ao esporte. No começo só pedalava no asfalto e sempre acompanhada de duas amigas, pois tinha receio, por ser mulher, de pedalar nas trilhas. Liege melhorou o seu desempenho, direcionando o seu potencial nas Copas Internacionais que pontuam no ranking nacional e internacional. Mas teria que treinar mais técnica na bike e desenvolver mais habilidades para a modalidade de Cross Country. Apesar da diferença técnica das modalidades, ela não tinha medo, passava em todos os obstáculos, descia, às vezes caia e se machucava durante o percurso nas corridas de XCO, mas buscava completar a prova e fazer tudo.

Formada no curso Técnico de Edificações, estagiou na empresa Terraço e abriu mão da sua carreira como profissional de Mountain Bike. E quando mudou para Itabira-MG, trabalhava de 6h às 18h: “era muito desgastante, tinha que ter muita concentração nas medições, o resultado dos cálculos deveria ser preciso, não podia ter erro”. Mesmo nessas condições, não desistiu da bike, depois de um dia cansativo, treinava sozinha na cidade que para ela era desconhecida. No retorno a Mariana, o trabalho ainda a inibia sua melhora no treinamento, tinha dificuldade de encontrar tempo para treinar, o trabalho consumia quase o seu dia todo, e quando conseguia uma folguinha competia com o tempo frio para treinar.

“Quando me formei tinha que ganhar dinheiro, ajudar a minha mãe, e melhorar a minha bike, que era muito inferior; se eu não trabalhasse não teria como evoluir.”

Em busca de se dedicar mais no esporte com melhores resultados, Liege decidiu sair do seu emprego fixo e viver do seu sonho, ser profissional de Mountain Bike. Como seu esposo tinha uma loja, a Fly Biker, ela decidiu trabalhar com ele, mesmo sem muita compensação financeira. A mudança trouxe uma realização pessoal e outros benefícios na saúde, bem estar, bom humor, melhor desempenho e condições de treinamento.

“Quando você cansa a cabeça é pior do que cansar o corpo, por que se cansar o corpo, é só tomar um banho e relaxar, mas se a mente estiver cansada, nada funciona bem”

Suas perspectivas são direcionados ao esporte, quer ser profissional de Mountain Bike, ter condições de se sustentar e manter seus gastos, quer chegar na ponta da Elite, mas tem a consciência que esse caminho é alcançado aos poucos, um degrau de cada vez, a evolução ocorre aos poucos.

Toda vez que vai largar sente um frio na barriga como se fosse à primeira corrida, se concentra e esquece que ao seu lado estão algumas campeãs de Mountain bike. “Penso que só eu estou na pista, e mostro o meu serviço”. O mais fácil de acontecer no Mountain bike é que a pessoa desista, mas para Liege foi prazeroso e gratificante subir cada degrau com o seu esforço.

“Sempre fui muito persistente, não se consegue resultados de um dia para outro, é uma questão de plantar e colher.”

Sobre duas rodas, a cada giro a ciclista se destaca nas corridas por ser uma das melhores entre muitos. Com uma rotina de treino frenética para superar os seus limites e atingir as suas metas, Liege Walter treina para alcançar o seu objetivo. Em oito anos de muita dedicação, hoje colhe os frutos do seu grande desempenho na bike, com o destaque de 5ª lugar no Ranking XC Feminino Elite representando a cidade de Mariana- MG, sendo uma das melhores ciclistas de Mountain Bike do Brasil.

Caroline Natale Melquiades Rooke

Caroline Natale Melquiades Rooke - Estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto, adora escrever e criar. Seu hobby preferido é praticar Mountain Bike, mas também gosta muito de participar de projetos sociais, promovendo a esperança com muito sorriso.

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