Todas as paixões de um único homem

Tuanny Ferreira da Silva

A fé pode fazer milagres: nasce uma nova vida

Elenilton Ferreira de Castro. Foto: Tuanny Ferreira Entrevista com Elenilton Ferreira de Castro. Foto: Tuanny Ferreira.Elenilton Ferreira de Castro, o caçula de seis irmãos (Eliesio, Elinezio, Elizangela, Elizabeth e Elaine), foi a gravidez mais difícil de sua mãe, Dona Maria Ferreira de Castro, com problemas de saúde, teve complicações no período de gestação, situação que podia provocar a morte do bebê. Tanto que no dia de seu nascimento, 9 de março de 1982, os médicos não acreditavam na sua sobrevivência. Contrariando os diagnósticos Elenilton nasceu, porém ao se livrar da morte não se livrou de uma doença não identificada pelos médicos.

Dona Maria, católica ferrenha, fez uma promessa para São Geraldo pedindo que curasse seu filho. O pedido foi atendido, e, como forma de agradecimento à dádiva recebida, Elenilton só pode cortar o cabelo aos oito anos de idade, neste dia a trança feita por sua mãe foi cortada e colocada no altar da Ermida de São Geraldo.

Ao contrário do personagem bíblico Sansão, que possuía uma força sobre- humana e ao ser traído por sua amada Dalila, teve seus cabelos cortados e teve sua incrível força retirada de seu corpo. Elenilton desde que foi abençoado e pagou a promessa, tem uma saúde de ferro; cortar seus cabelos não lhe tirou a vitalidade e a força.

Branco, como é conhecido, teve o apelido dado pela sua avó D. Efigênia – de quem sempre fala com carinho – quando ainda era criança, devido aos problemas de saúde sua pele era muito pálida. O apelido pegou e hoje em dia tem gente que acha que esse é o seu nome.

Ao lembrar-se da infância, Elenilton parece viajar no tempo e no espaço com os olhos brilhantes e distantes diz: “Se eu pudesse voltava à infância pelo menos duas vezes!”. Na escola tinha um bom comportamento, mas não tirava boas notas mesmo gostando das matérias como história, ciências e inglês. Estudou no próprio bairro do Rosário, no qual mora até hoje com sua família, na Escola Estadual Professor Soares Ferreira. Rindo, ele conta que foi uma época muito divertida e feliz apesar da simplicidade com que viviam. “Lembro-me das brincadeiras na praça com meus irmãos, de assistir desenhos na televisão e de jogar bola”.

O campinho que fica atrás da Igreja do Rosário era o lugar em que fazia sua maior peraltice de criança, constantemente cabulava as aulas de catequese naquele local para jogar futebol e com a cumplicidade de seus amigos escondia-se quando a beata Dona Maria aparecia por lá. E era para lá que ele e seus amigos também iam quando as aulas acabavam mais cedo.

A arte de cozinhar e a arte do oficio

Toda vida foi muito apegado à mãe e conta que desde pequeno ficava na beira do fogão para ver Dona Maria cozinhar. Tendo até certa vez seu rosto queimado por gordura quente num acidente na cozinha, que felizmente não lhe deixou marcas nem cicatrizes. De tanto observar acabou criando gosto e aprendendo essa arte. Cozinhar é uma de suas grandes paixões.

Durante a adolescência sempre estudou e trabalhou. Já teve vários empregos. “Gosto muito de trabalhar, não gosto de ficar parado”, tendo até uma época que por não encontrar emprego como cozinheiro – atividade que adora – partiu para o trabalho braçal como servente de pedreiro. Teve, quando adulto, a oportunidade de trabalhar em alguns restaurantes como auxiliar de cozinha e também como cozinheiro chefe.

 “Aqui tem um bando de louco, louco por ti Corinthians…”

Decididamente a maior paixão desse homem é o futebol, mais especificamente o Corinthians. “Só quem é corintiano sabe o que isso significa. É gostoso e não tem como explicar.” Ao enumerar coisas que já fez e o que tem do time do coração, Branco mostra um entusiasmo e uma emoção que podem ser percebidos através do brilho nos olhos e a empolgação no jeito de falar.

Tudo teve início quando Elenilton foi treinar no Guarani de Mariana. Desde então criou o costume de assistir jogos de futebol na TV e a torcer por um time xará, o Guarani de Campinas, no qual jogava Neto, o camisa 10. Pouco tempo depois seu ídolo passou a jogar pelo Corinthians e ele a torcer por esse time também.

O amor pelo time também tem origens na família. Seu tio, filho de sua avó Dona Efigênia, era um corintiano fanático. Tanta paixão que lhe rendeu uma tatuagem, feita aos 27 anos de idade, com o desenho escolhido e numa situação inusitada fez a tatuagem no alto das costas: um gavião segurando o escudo do Corinthians.

A situação inusitada se deu numa tarde em que ele foi para casa de um amigo para fazer a tatuagem, levando consigo uma garrafa de Rum Montila e uma de Coca-Cola. “No começo estava tranquilo, depois começou a doer então eu comecei a beber pra anestesiar a dor. Quando fui embora parecia que estava pisando nas nuvens.” Entretanto, ele só conseguiu terminar a tatuagem três sessões depois.

Como torcedor pôde viver vários momentos emocionantes e que marcaram muito sua vida. As lágrimas de tristeza derramadas ao ver seu time descer para série B do Campeonato Brasileiro de 2007. Mesmo com toda a sua fé, as orações e as velas acendidas para São Jorge, padroeiro do Timão, não pode impedir a derrocada. No ano seguinte, teve a oportunidade de estar no Estádio do Pacaembu e desfrutar a vitória do Corinthians sobre o Ceará (2 x 0) conquistando assim o passaporte para retornar à série A em 2009.

Branco está noivo de uma corintiana, Amanda Carolina Doracio. Seu fanatismo já foi outrora motivo de ciúmes e causa de separação nos seus antigos relacionamentos. Certa vez foi questionado por uma namorada sobre quem ele gostava mais: dela ou do Corinthians. Não precisa ser muito esperto para saber a resposta que Elenilton deu a moça. “Em primeiro lugar minha mãe, em segundo o Corinthians e depois você. Eu amo mais o Corinthians que eu mesmo”. Poucos dias depois a separação.

Todos os dias as fronteiras que os separam são diminuídas através do telefone. Amanda mora na cidade de São Paulo, ele a conhecia há muito tempo, pois ela é vizinha de seus parentes. Antes de iniciar o romance Branco já ia pra São Paulo toda vez que entrava de férias ou quando ficava desempregado para buscar emprego. Agora tem um emprego, junta dinheiro e conta os dias para as férias chegar para pode ir visitar a noiva.

Com Amanda, o amor pelo Timão ou por ela nunca é colocado em questão. “Ela mesmo diz que sabe que eu sou assim, ela me conheceu assim”. Sempre que vai visitar a noiva, eles fazem passeios ou quando dá assistem aos jogos no estádio. O último sonho que ela o ajudou a realizar foi a ida ao Museu do Corinthians e à Quadra da Gaviões da Fiel, a maior torcida organizada do time. “Foi emocionante estar naquele lugar, minha pele até ficou arrepiada quando pisei na quadra.”

Branco leva a vida assim cheia de emoções, de figuras e de paixões. Nunca se esquece da família, dos amigos e como todo bom brasileiro não esquece o futebol e a cervejinha gelada no fim de semana. Mas não deixa de lado a religiosidade e a fé que trilham seu caminho, afinal pode ser dai que vem a sua força e não apenas dos cabelos como Sansão.

Tuanny Ferreira da Silva

Tuanny Ferreira da Silva - Graduanda em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. É bolsista do Prosaico – Histórias de Vida sob orientação da Profª Draª Marta Maia.

2 comentários em Todas as paixões de um único homem

  1. Fabio disse:

    – Crescimento, aprendizado, evolução.
    Deve ser muito bom a gente fazer o que gosta. Cada dia mais, vocês me provam isto!

  2. Amanda Carolina D' Oracio disse:

    Essa é a vida do meu noivo!!!! Sou muito feliz com o Branco ele é uma pessoa maravilhosa! E a melhor parte do bolo é que a data pro nosso casamento já está agendada e vai ser em Mariana, MG no dia 26/01/2013. Aguardamos vocês!!!!!! Quem sabe a próxima entrevista não seja com nós dois!!!!! BEIJOS
    Ass. Amanda Carolina D’Oracio

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